IEA integra projeto colaborativo e interdisciplinar sobre o tempo

Publicado em Pesquisa, USP Online Destaque por em

Da Divisão de Comunicação do IEA

Um grupo de 15 jovens pesquisadores de diferentes países e áreas do conhecimento participará de um projeto colaborativo a partir de novembro de 2014: o desenvolvimento de estudos sobre o tempo na Academia Intercontinental, uma iniciativa da rede Ubias — University-Based Institutes for Advanced Study (Institutos de Estudos Avançados Baseados em Universidades, na tradução em português), associação internacional de cooperação científica que congrega 34 instituições de 19 países da Europa, América, Ásia, África, Oriente Médio e Oceania.

Os IEAs organizadores dessa primeira edição da Academia Intercontinental e anfitriões dos pesquisadores em dois encontros de imersão são o Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, do Brasil, e o Instituto para a Pesquisa Avançada (IAR, na sigla em inglês) da Universidade de Nagoya, do Japão. Durante todo o projeto, os participantes terão a orientação de cientistas seniores de reconhecimento regional e internacional.

Tema

O tempo foi escolhido como tema do projeto por ser usualmente conceitualizado de maneira distinta em cada área do saber, seja ela das humanidades ou das ciências naturais. Para uma visão abrangente dos impactos dessas noções na ciência e na cultura em termos gerais é preciso que haja um diálogo acadêmico entre pessoas que trabalhem e mesmo vivenciem os diferentes conceitos sobre o tempo.

Encontros de imersão

Com o anúncio dos 15 selecionados em novembro deste ano, serão iniciados os trabalhos coletivos para a realização do primeiro encontro de imersão em março de 2015 na USP. O segundo encontro acontecerá na Universidade de Nagoya em janeiro de 2016. De abril a dezembro de 2015, intervalo entre as duas imersões, os participantes darão continuidade aos estudos por meio de contatos entre si e com o Comitê Senior da Academia Intercontinental via internet .

Nos encontros em São Paulo e Nagoya, os pesquisadores terão a chance de debater tópicos de pesquisa por meio de conferências, leituras, workshops e discussões, além de compartilhar experiências e participar de atividades interculturais e programação social.

A troca de informações acontecerá não apenas entre os participantes selecionados para a Academia Intercontinental, mas também entre todos os integrantes do projeto e as comunidades científicas locais, oferecendo a estas novas oportunidades de contato com ciência, cultura e projetos de pesquisa de excelência de várias partes do mundo.

Essa edição inaugural da Academia Intercontinental terminará em março de 2016, dois meses depois do encontro de imersão em Nagoya. Esse período final será dedicado à edição dos trabalhos resultantes do projeto.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação/IEA

Inscrições e seleção

Os pesquisadores interessados em concorrer a uma das 15 vagas devem ter entre 30 e 40 anos, doutorado completo ou pós-doutorado (concluído ou em andamento) em qualquer área do conhecimento e fluência em inglês. Para se inscrever, o candidato deverá enviar uma carta de intenção e um currículo atualizado, ambos em inglês, para um dos IEAs integrantes da rede Ubias.

A carta deverá conter manifestação de interesse em participar da Academia Intercontinental, informações resumidas sobre carreira e atuação acadêmica e exposição sobre como contribuir com o projeto. Se o interessado receber carta de endosso do instituto ao qual se dirigiu para participar do processo seletivo, deverá preencher o formulário de inscrição e anexar os documentos solicitados. O prazo final de entrega de toda a documentação é 31 de julho de 2014.

Avaliando-se que cada um dos 34 IEAs integrantes da Ubias deverá indicar em média três candidatos, estima-se um universo de aproximadamente 100 concorrentes às 15 vagas finais. A relação de participantes deverá contemplar a diversidade de áreas do conhecimento e de nacionalidades.

Espaço experimental 

Na opinião de Martin Grossmann, diretor do IEA,  a Academia Intercontinental funcionará como um laboratório para futuros trabalhos colaborativos em nível universitário: “É um projeto em pequena escala, mas com potencial para gerar um novo formato de atividade científica”.

Apesar de o termo academia geralmente estar associado a um corpo de cientistas que, mesmo sendo autores de grandes contribuições ao conhecimento, não estão envolvidos com a transformação das ideias prevalecentes, no sentido utilizado na Academia Intercontinental, a palavra refere-se, segundo Grossmann, “a um ambiente de pensamento de ponta, um espaço experimental para discussões, riscos e encontros inesperados”.

De acordo com o economista Dapeng Cai, do IAR-Nagoya, uma iniciativa como a Academia Intercontinental é muito importante porque “a pesquisa universitária está excessivamente direcionada e especializada e os pesquisadores não conseguem compartilhar linguagens, não se relacionam com outros campos do saber e esquecem como se comunicar entre si”.

Cai ressalta que a Academia Intercontinental orienta-se por três metas: estimular a pesquisa conjunta entre institutos integrantes da Ubias; estabelecer redes de cooperação entre os líderes científicos da próxima geração; e explorar novas práticas acadêmicas coletivas e novos formatos de treinamento científico, colaboração e disseminação.

Coordenação

Divulgação/IEA

O Comitê Senior de cientistas responsável pela coordenação dos trabalhos da Academia Intercontinental é constituído por Regina Pekelmann Markus, Takao Kondo e Till Roenneberg (coordenadores científicos), Elieser Rabinovici e Sami Pihlström (representantes da rede Ubias) e Takaho Ando e Martin Grossmann (diretores dos institutos organizadores). Regina Pekelmann Markus é professora titular do Instituto de Biociências (IB) da USP e diretora executiva da Academia de Ciências do Estado de São Paulo; Takao Kondo é professor de ciências biológicas da Universidade de Nagoya, Japão, e ex-diretor do IAR-Nagoya; Till Roenneberg é professor de cronobiologia do Instituto de Psicologia Médica da Universidade Ludwig-Maximilians, de Munique, Alemanha, e presidente da Sociedade Europeia de Ritmos Biológicos; Elieser Rabinovici é professor de física de partículas da Universidade Hebraica de Jerusalém, Israel, e ex-diretor do Instituto de Estudos Avançados da mesma universidade; Sami Pihlström, é professor de filosofia da Universidade de Helsinque, Finlândia, e diretor do Colégio de Estudos Avançados da mesma universidade; Takaho Ando é diretor do IAR-Nagoya e professor das Escola de Economia da Universidade de Nagoya, Japão; e Martin Grossmann, diretor do IEA da USP e professor titular da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. O secretário geral do projeto é Carsten Dose, diretor executivo do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de Freiburg, Alemanha.

O Comitê Científico do projeto no IEA da USP é constituído por: José Eduardo Krieger (presidente),  pró-reitor de Pesquisa e professor titular da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP); Hernan Chaimovich, vice-presidente da Academia Brasileira de Ciências, ex-diretor do Instituto de Química (IQ) da USP e ex-vice-diretor do IEA da USP; Marcelo Knobel, membro do comitê assessor da Fapesp e professor titular do Instituto de Física Gleb Wathagin da Unicamp; Massimo Canevacci, antropólogo, professor visitante do IEA da USP e professor da Universidade de Estudos de Roma La Sapienza, Itália; Renato Janine Ribeiro, filósofo, ex-conselheiro do IEA da USP, onde coordena o Grupo de Pesquisa O Futuro nos Espreita e professor titular da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP; Vera Lúcia Imperatriz-Fonseca, coordenadora do Grupo de Pesquisa Serviços de Ecossistemas do IEA da USP e professora titular do Instituto de Biociências (IB) da USP; e também dois dos integrantes do Comitê Senior, Regina Pekelmann Markus (vice-presidente) e Martin Grossmann.

Mais informações: Site intercontinental-academia.ubias.net, email ica_iea@usp.br.

.