Cena pesquisa nova estratégia de combate ao mosquito da dengue

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Com informações da Assessoria de Imprensa do Cena

Um dos principais problemas de saúde publica no mundo, a dengue mata cerca de 20 mil pessoas por ano e seu tratamento se restringe apenas a combater os sintomas da doença. Ou seja, sem uma solução a vista, pesquisadores do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena), da USP, e da Bioagri, desenvolveram uma técnica para tornar estéril o mosquito transmissor do vírus, criando assim uma nova frente de combate a essa patologia.

A pesquisa interfere no ciclo reprodutivo do inseto por meio de um processo radioativo, sem fazer uso de produtos quí­micos e sem gerar qualquer tipo de impacto ambiental. Inédito no Brasil, o trabalho será apresentado durante o Congresso Brasileiro de Entomologia, que acontecerá em Curitiba (PR) entre os dias 16 e 20 de setembro.

Através de uma baixa dose de radiação gama, o laboratório de Radiobiologia e Ambiente do Cena conseguiu tornar infecundo o mosquito, que até põe os ovos, mas esses não eclodem as larvas. “Usamos uma quantidade de energia que não mata o inseto, mas provoca mudanças em seu sistema biológico”, explica o professor Valter Arthur, coordenador da pesquisa.

O ciclo de criação do pernilingo passa por ovo, larva, pupa e adulto em aproximadamente 14 dias, mas o processo se dá na fase de pupas, que são irradiadas em uma fonte de Cobalto-60, fazendo com que os machos se transformem em insetos estéreis. “Eles até copulam, mas não fertilizam as fêmeas, que são as transmissoras do vírus da dengue, ou seja, o ciclo continua completo. Mas, como os ovos não geram nada, conseguiremos baixar significativamente a infestação do mosquito e, consequentemente, o da doença”, comemora o coordenador da pesquisa.

Os mosquitos vêm sendo criados na unidade da Bioagri, instalada em Charqueada, interior de São Paulo, de onde seguem para o laboratório do Cena, local onde são irradiados, num processo em que o instituto especializado da USP detém a tecnologia há 30 anos. “Iniciamos a pesquisa há pouco mais de três meses e ainda estamos determinando a dose esterilizante”, diz Márcio Adriani Gava, diretor técnico da Bioagri. “Posteriormente, iniciaremos os testes de campo, como dispersão, liberação e compatibilidade do Aedes aegypti estéril com a linhagem selvagem”, completou.

O professor Valter define essa pesquisa como uma forma simples de controle biológico ecológica, onde se utilizará o próprio inseto para combatê-lo, sem o uso indiscriminado de inseticidas. “O objetivo da pesquisa é o de reduzir a transmissão da dengue, por meio da liberação no ambiente de mosquitos machos estéreis em grande quantidade, que competirão com os nativos. Uma vez copuladas, as fêmeas vão gerar os ovos inférteis, dos quais não eclodirão larvas, e consequentemente ocorrerá uma diminuição da população de transmissores da dengue”, finalizou.

Mais informações: (19) 3302-0100 pelo email contato@engenhodanoticia.com.br 

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