Estudo do IPq aponta associação entre transtornos psiquiátricos e a vida em megacidades

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Da Assessoria de Imprensa  do IPq

Um estudo realizado com 5.037 adultos residentes na região metropolitana de São Paulo revela a associação entre a vida nas chamadas megacidades e a incidência de transtornos psiquiátricos. A pesquisa, publicada esta semana na Public Library of Science (PLoS), foi liderada por Laura Helena Andrade, do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina (FM) da USP e aponta que cerca de 30% dos investigados apresentou um transtorno mental nos 12 meses anteriores à entrevista.

Trinta por cento desses casos (10% da amostra) foram considerados graves. Transtornos de ansiedade foram os transtornos mais comuns (afetando 19,9%), seguidos por transtornos de humor (11%), controle de impulsos (4,3%), e transtornos por consumo de substâncias (3,6%). A exposição ao crime foi associada com todos os quatro tipos de transtorno avaliados.

Em geral, os migrantes apresentaram baixa prevalência dos quatro tipos de transtornos, quando comparados aos residentes estáveis. No entanto, observamos subgrupos mais vulneráveis: mulheres e homens migrantes que vivem em áreas de maior privação social tiveram mais chance de apresentar transtornos de humor e de ansiedade, respectivamente. A exposição ao ambiente urbano na maior parte da vida esteve associada com transtornos do controle de impulsos. Residir em região com alta privação social esteve associado a maiores taxas de transtornos por uso de substâncias. Apenas um terço dos casos graves tinha recebido tratamento no ano anterior.

O crescimento da população mundial deverá ser concentrado em megacidades, com aumentos de estresse associado à urbanização e desigualdade social. A área metropolitana de São Paulo (SPMA) fornece a possibilidade ter termos um panorama sobre a carga das doenças mentais em áreas urbanas em países em desenvolvimento. A pesquisa São Paulo Megacity foi realizada com este objetivo. Adultos que vivem na Região Metropolitana de São Paulo têm prevalência de transtornos mentais em níveis mais elevados do que encontrado em pesquisas semelhantes em outras áreas do mundo. O reconhecimento desta morbidade e seu tratamento deve ser enfatizado no Sistema Único de Saúde, o qual deve ser integrado a serviços especializados.

O estudo completo está disponível no site da PLoS.

Mais informações: (11) 2661-7801, email imprensa.ipq@hcnet.usp.br ou ruth.helena@hcnet.usp.br

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