Jornal da USP publica sua milésima edição

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Valéria Dias, da Agência USP de Notícias

O milésimo gol, a virada do milênio, as mil e uma noites…. O número 1000 carrega uma série de simbolismos para o ser humano. A Universidade de São Paulo não tem mil anos de existência, mas o jornal produzido por ela está prestes a completar mil edições. Exatamente 15 anos antes do final do milênio passado foi publicada a primeira edição do Jornal da USP, em junho de 1985. E no próximo dia 3 de junho, o maior jornal produzido por uma universidade brasileira lançará sua milésima edição, comemorando 28 anos de existência.

Nas últimas semanas, a equipe atual, formada por 18 integrantes (entre repórteres, editores, fotógrafos e revisores) preparou a edição comemorativa. São 28 anos de histórias e causos e relembrá-los é sempre bom. Compartilhar essa vivência com os leitores é melhor ainda. Foram entrevistados ex-diretores e editores, além de outros profissionais que passaram pela redação ou que contribuíram direta ou indiretamente para que o periódico chegasse ao número mil, entre outras coisas. Além da edição especial, está prevista também uma mesa-redonda, ainda sem data e local definidos, para debater o jornalismo universitário e científico.

Na primeira edição, o então reitor Antonio Helio Guerra Vieira (18/01/1982 a 17/01/1986) ressaltou o papel que o Jornal da USP viria a desempenhar como um veículo difusor das ideias e do saber produzidos na Universidade e que, apesar de o público-alvo ser o corpo docente, a publicação deveria trazer ao debate temas de interesse de toda a sociedade.

Passados 28 anos, essa mesma linha editorial ainda pode ser observada. “A USP é a melhor universidade pública da América Latina e temos aqui os intelectuais mais importantes do País”, destaca Marcello Chami Rollemberg, diretor de redação, ao comentar a tendência de o Jornal da USP publicar reportagens que abordam os grandes temas nacionais e internacionais tendo como fonte os especialistas da Universidade. Por isso, destaca Rollemberg, a publicação tem cara de revista semanal, com textos mais extensos e elaborados e que abordam o aspecto interpretativo desses grandes temas.

Um exemplo disso é a edição atual (a de número 999). A reportagem principal, a da capa, aborda os desafios que o novo diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, o diplomata brasileiro Roberto Azevedo, irá enfrentar. Para comentar o tema, foram ouvidos o ex-reitor da USP, o professor Jacques Markovitch, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA), além dos docentes Umberto Celli, da Faculdade de Direito (FD), e João Paulo Cândia Veiga, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH).

Quando ocorreram os atentados terroristas nos Estados Unidos, em 11 de setembro de 2001, o Jornal da USP também foi ouvir os especialistas da Universidade para repercutirem o caso. “Nós saímos do factual e produzimos uma série especial a partir de textos interpretativos sobre o atentado”, conta o diretor de redação.

Prêmios

Rollemberg destaca o fato de, ao longo desses 28 anos, o Jornal da USP ter recebido dois prêmios sendo que ambos não estão ligados nem à divulgação científica nem ao meio acadêmico. O primeiro foi em 2001, concedido pelo Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP) pela melhor cobertura das comemorações dos 500 anos de descoberta do Brasil (edição especial Brasil 500 anos). O outro foi o Prêmio Antonio Bento, concedido em 2008 pela Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA) como o melhor divulgador de cultura na mídia em 2008.

O Jornal tem uma circulação de 20 mil exemplares, distribuídos em todos os campi da Universidade e também em órgãos ligados aos governos estadual e federal. Para o diretor de redação a grande desvantagem do Jornal da USP em relação aos outros veículos de comunicação externos à Universidade é em relação ao tempo. “A visão de tempo, em um órgão público, é diferente daquele encontrado nas redações de outros jornais. Mas a grande vantagem é que não precisamos nos preocupar com anúncios, por exemplo”, aponta.

Entre intelectuais e a política

Roberto Castro entrou no Jornal da USP como freelance em 1995. Posteriormente, tornou-se repórter e depois editor. “Como repórter é fascinante a experiência de ter acesso às pesquisas desenvolvidas na USP muito antes de elas chegarem à sociedade e aos livros didáticos. Além das inúmeras entrevistas que pude realizar com renomados professores da USP, como José Goldemberg, Miguel Reali e Paulo Nogueira Neto”, diz. Como editor, o maior desafio, segundo ele, é traduzir numa linguagem acessível para o público leigo as principais descobertas envolvendo áreas tão complexas como genética, física e química.

“Também precisamos perceber quais as necessidades da sociedade e atendê-las por meio de reportagens no Jornal. Em cada área do conhecimento, encontramos aqui na USP grandes especialistas. Então podemos aproveitar essa experiência para levar informações úteis para a ajudar a sociedade resolver seus problemas”, afirma o editor. E finaliza citando o intelectual alemão Max Weber: “para Weber, o papel do intelectual é propor ideias. Aos políticos, cabe executá-las. A função do jornalista é atuar como uma ponte entre eles”.

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