Laboratório do ICB estuda o comportamento de tumores malignos

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Na luta da ciência para encontrar novos tratamentos – e quem sabe a cura definitiva – para o câncer, diversas são as linhas de ação. Um dos principais desafios neste campo é compreender os mecanismos da doença e como ela se desenvolve. O Laboratório de Biologia Tumoral, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, atua nesta área, estudando o comportamento das células malignas no corpo humano.

O intuito, como explica o professor Ruy Gastaldoni Jaeger, coordenador do laboratório, é procurar maneiras de inibir o desenvolvimento de tumores. “O objetivo é entender como os componentes do meio ambiente tumoral regulam os processos de desenvolvimento das células malignas”, afirma

O foco do laboratório está em estudar diferentes fases de um tumor, em especial migração e invasão. “Buscamos compreender as etapas de desenvolvimento da célula tumoral, principalmente no que diz respeito aos movimentos de migração dessas células, e os meios pelos quais se dá a invasão celular”, explica Jaeger.

A partir do momento em que se entende o comportamento das células tumorais, os pesquisadores se concentram em descobrir tanto o que estimula a disseminação dessas células, como o que pode inibir esses processos.

“Na medida em que se conhece o tumor, é possível descobrir vias para pará-lo”.

Para realizar as pesquisas, o laboratório cultiva células tumorais in vitro, acompanhando-as. As células são adquiridas no Banco de Células do Rio de Janeiro.

O professor explica que através dessas pesquisas,  a longo prazo, é possível que se consiga desenvolver remédios para bloquear algumas etapas específicas do desenvolvimento de certos tumores, o que seria uma alternativa de tratamento muito menos agressiva para o paciente do que a quimioterapia ou a intervenção cirúrgica.

Estudo com laminina

Como exemplo de pesquisa realizada no laboratório, Jaeger cita o estudo com a laminina, uma molécula que faz parte de uma estrutura chamada membrana basal, que envolve as células em tecidos normais ou tumorais. De acordo com o professor, para que ocorra a invasão, o tumor deve quebrar esse envoltório de proteção, atingindo tecidos vizinhos e formando metástases. O mais interessante é que, ao quebrar essa membrana basal para invadir o tecido, as células tumorais interagem com fragmentos das moléculas anteriormente quebradas. Dessa forma, fragmentos da laminina possuem atividades biológicas relevantes.

A ideia é estudar de que maneira fragmentos da laminina regulam diferentes tumores, com o objetivo de, no futuro, inibir eventuais fragmentos que estimulam a progressão tumoral.

O laboratório

O Laboratório de Biologia Tumoral foi estabelecido no Departamento de Biologia Celular e do Desenvolvimento do ICB no ano de 2001, e desde o início vem sendo financiado por recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e do Conselho Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Sediado no prédio do ICB I, o laboratório é dividido em dois setores principais: Um localizado no terceiro andar do prédio, onde são feitas todas as análises dos dados coletados, e outro no quarto andar, onde as culturas de células são armazenadas e os experimentos feitos.

Com alunos e pesquisadores de treinamento técnico, iniciação científica, mestrado e doutorado, os estudos envolvem métodos de cultivo celular, além de análise morfológica, funcional, bioquímica e de biologia molecular.

Para mais informações, acesse o site do Laboratório de Biologia Tumoral.

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